Silver Chaos - BL Game

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

I - 02. O Leilão de Escravos

Em um pequeno lugarejo à margem do caminho para Átria, a cidade do reino, começava os preparativos para um leilão de escravos em meio a uma pequena praça. Muito comum naquela região, os leilões de escravos representavam uma das principais atividades comerciais do continente de Beum só perdendo para o lucrativo comércio de jóias. Várias jaulas de madeira montadas sobre carroças eram colocadas ao lado de um tablado elevado onde alguns worms, criaturas humanóides de aparência grotesca e hábitos truculentos, descarregavam a mercadoria. Tratava-se de gamelianos ou ‘Filhos de Èrios’ que se aglomeravam num canto tentando se proteger do frio da nublada manhã.

Após a queda do regente de Gamaliel, a maior parte dos habitantes daquele reino havia sido dizimada e, o restante, transformada em escravos para os mais variados tipos de trabalhos. Entretanto, devido à beleza singular dessa raça, era muito comum encontrar gamelianos usados como escravos sexuais. Muitas histórias eram contadas sobre a origem dessa peculiaridade, mas, a principal, era a de que Èrios, deus do amor e da beleza, havia atendido a um pedido de Nars V, príncipe regente de Gamaliel, abençoando o reino com beleza e prosperidade. Entretanto, o príncipe faleceu subitamente jogando em desgraça toda a raça dos gamelianos que passaram a se chamar ‘Filhos de Érios’.

Após toda a mercadoria ser colocada sobre o tablado, um worm gordo e baixo, que aprecia estar no comando, chama um de seus empregados e ordena que os machos sejam separados das fêmeas. Geralmente, os espécimes machos de ‘Filhos de Érios’ eram os que alcançavam maiores preços devido à versatilidade tanto para trabalhos braçais quanto para fins sexuais. Em meios a empurrões e chutes, os machos e fêmeas são postos em pontos extremos do tablado. Logo após terminado a separação, o worm chefe se vira para o público e anuncia o leilão do carregamento originado de uma família de worms falidos.

Nesse momento, Mark, que acabava de chegar ao vilarejo, vê uma enorme movimentação ao redor da praça do lugarejo e aproxima-se tentando descobrir do que se tratava. Logo percebe que era um leilão de escravos e, mesmo já tendo presenciado muitos leilões assim, o sangue meio-elfo de Mark começa a esquentar ao se deparar com aquela cena.

No alto do tablado, um worm corpulento puxa um dos escravos e empurra-o para frente da multidão. O jovem, com cerca de 20 anos, era muito alto e possuía um corpo bem definido atraindo olhares gulosos das pessoas na multidão. Seus longos cabelos encaracolados emolduravam um rosto delicado e triste, mas, mesmo assim, incrivelmente belo. O jovem encara a multidão com dois lindos olhos violeta enquanto o worm gordo e baixo o rodeia averiguando o quanto poderia conseguir pelo escravo. Ele se vira para a multidão e anuncia um lance inicial de 15 moedas de ouro e logo esse valor começa a crescer exponencialmente à medida que mãos vão sendo levantadas requerendo a posse sobre a mercadoria.

Mark primeiro observa o triste rosto do garoto sendo leiloado e depois olha para um homem grande e gordo que parecia muito interessado em vencer o leilão julgando pelas altas cifras oferecidas. Mark já havia sido escravo uma vez. Pior, havia nascido escravo e, durante boa parte de sua vida, havia se sujeitando aos piores tipos de humilhações que uma pessoa poderia imaginar. Isso havia sido há muito tempo, mas as feridas pareciam estar abertas na pele do meio-elfo novamente queimando-lhe o corpo como brasa. Ele olha novamente para o garoto e toma uma decisão. Sabia que não podia salvar a todos, mas, pelo menos aquele garoto não passaria pelo mesmo que ele havia passado.

- Quem dá mais!? Quem dá mais!?

- Eu! - Todos olhavam para Mark que abria caminho por entre a multidão. - Ofereço tudo que possuo... uma casa e um taverna em Goldar.

O vendedor worm analisava Mark de cima a baixo como a verificar se realmente ele possuía o que havia dito. Fingindo não ouvir o que o meio-elfo havia dito, ele continua o leilão.

- Alguém dá mais!? Alguém!?

- Ninguém dará lance maior que o meu. Aceite a oferta e deixe-me ficar com ele.

- Dou-lhe uma... dou-lhe duas... dou-lhe três! Vendido para o baixinho de orelhas pontudas aqui!

O gordo Worm vai até o jovem escravo e o empurra na direção da escada. Desequilibrado, o garoto rola escada abaixo e cai de cara no chão. Mark se aproxima para ajudar, mas o garoto é mais ágil se levantando e pondo-se de joelhos aos pés de seu novo dono. O meio-elfo, então, passa pelo garoto e vai até o worm entregando as escrituras dos bens e recebendo em seguida o documento de posse do escravo. O vendedor ainda olha desconfiado para Mark que se vira e segue até o garoto novamente sem se importar com isso.

- Me acompanhe.

O jovem escravo põe-se de pé num movimento e acompanha Mark até se afastarem da multidão. Quando alcançam uma boa distância, Mark puxa sua espada e quebra os grilhões que prendiam o garoto.

- Está livre... vá embora.

Mark se vira e começa a caminhar deixando para trás o “ex-escravo” perplexo com o que acabara de ouvir. Mark ainda dá uma última olhada para o rapaz e, para sua surpresa, percebe que ele não está mais perplexo e, sim, apavorado. Os lábios do rapaz tremem no esforço de conter as lágrimas e ele se joga aos pés de Mark.

- Senhor, não! Eu imploro! - agora o garoto chorava desesperadamente – Não sei se fiz algo muito errado, mas não fiz por mal! Perdão, senhor, não me castigue assim!!!

Mark fica um tanto constrangido com a cena e seu rosto cora. Ele olha ao redor verificando se alguém presenciava aquela cena.

- Espere, você entendeu tudo errado. Não estou lhe castigando. Eu apenas o libertei. – Mark ajoelha-se ficando a altura dos olhos do garoto – Você não precisa ser escravo a vida toda... se quiser, venha comigo, mas não como escravo. – O meio-elfo se levanta novamente analisando a situação – Terei que arrumar algum serviço... tudo o que tinha, usei para te comprar, mas sei que podemos nos virar. E, por favor, solte os meus pés... eu.... bem... vamos andando.

Mark se desvencilha do rapaz e recomeça sua caminhada. Ainda sem entender, o jovem, trêmulo, levanta-se e começa a seguí-lo mantendo-se sempre um pouco atrás. O meio-elfo caminha lentamente deixando o ar frio tocar seu rosto apreciando a sensação de estar nas terras gélidas. Ele havia nascido ali, numa cidade próxima, mas há muito tempo havia ido embora para um lugar mais quente, mais seguro e mais feliz.

Olhando para trás, ele vê aquele jovem que ele acabara de libertar ainda agindo como um escravo. Isso o incomodava e ele solta um longo suspiro. Lembrava-se do momento que havia ganhado a liberdade. Sabia que era difícil acostumar-se com aquela nova condição. Resolve então esquecer isso, o garoto iria perceber aos poucos como era ser livre. Ainda faltava um bom tempo para escurecer e ele precisava chegar às terras do reino logo. Precisava encontrar algum serviço ou ambos não sobreviveriam.

2 comentários:

Liliana disse...

Adorerei! \o/ *anciosa p/ ler o resto* *___*
Vai ter lemon né? *¬* adoru!

Anônimo disse...

olhos violeta
*desmaia*
wow Mark deu tudo q tinha pelo o escravo q fofo *__*
uia no capitulo o escravo vai ter nome ne?
XDDDDDDDDDDDD
*querendo ler o resto*